ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza

31.12.18

Segundo volume da revista Wiráhu é lançado no Maranhão

A sistematização se refere às experiências práticas e concretas, vitais e carregadas de uma enorme riqueza acumulada: elementos, valores e crenças. É um exercício de aprendizagem, que produz novo conhecimento. Sistematizar possibilita uma compreensão mais profunda das experiências realizadas. Permite refletir a própria prática e propicia espaços educativos. É ainda um importante instrumento pedagógico de construção coletiva do conhecimento e divulgação de iniciativas bem-sucedidas.

Diversas ferramentas podem ser usadas para a construção de sistematizações, como boletins informativos, revistas, cartilhas, programas de rádio, banners, cartazes, registro fotográfico e vídeo. Independente do formato, as sistematizações são centradas em histórias de vida e causam efeitos relevantes, como o estímulo à produção e à socialização do conhecimento e à elevação da autoestima, além de motivar as pessoas a criarem e recriarem experiências.

Neste sentido, em dezembro de 2018, o ISPN lançou o segundo volume da Revista Wirahú, em parceria com a Vale, no âmbito do Plano Básico Ambiental  – Componente Indígena (PBA-CI), por meio do Subprograma Fortalecimento Institucional. A publicação é resultado da realização do Curso de Gestores Indígenas de Projetos. “Cada volume traz os conteúdos dos módulos, a primeira trouxe somente um módulo, mas na segunda, foram dois, visto que os temas dialogam entre si. A terceira deverá trazer os módulos 4 e 5 e a quarta o módulo de conclusão dos cursos com os trabalhos finais apresentados pelos cursistas, que já estão sendo elaboradas”, explicou a coordenadora do Subprograma, Suely Cardoso.

Rosilene Guajajara, secretária Associação indígena comunitária Wirazu, da Aldeia Maçaranduba (Terra Indígena Caru) destaca a importância da publicação como parte fundamental do processo de registro e gestão do conhecimento.  “A revista traz informações e depoimentos sobre o trabalho e experiência da gente, como gestores. Conta as histórias, como foi toda essa construção, através dos trabalhos em grupos, das pesquisas. A gente se doou muito para chegar nesse resultado, se esforçou bastante para chegar na qualidade do material que está. Foi um ótimo trabalho dos gestores, como uma iniciativa que deu certo e precisa ser disseminada para outros territórios indígenas”, ressaltou.

O Curso de Gestores Indígenas formou 18 jovens, adotando o modelo da alternância no  projeto pedagógico, sendo 20 dias de aulas presenciais a cada dois meses, totalizando 10 módulos (cinco presenciais e outros de dispersão). As atividades práticas eram realizadas pelos cursistas em suas aldeias, somando uma carga horária de 1.500 horas.

A formação desses jovens tem contribuído para ampliar os conhecimentos dos Guajajaras das Terras Indígenas Caru e Rio Pindaré sobre a gestão organizacional, promovendo aprendizado sobre elaboração de projetos e qualificando a atuação dos gestores e lideranças em suas organizações e o empoderamento das associações comunitárias. E ainda buscou o fortalecimento da capacidade de diálogo das associações com instituições governamentais e organizações não governamentais em relação aos projetos coletivos e às políticas públicas.

Oficina Ampliada do Desenvolvimento Organizacional Participativo (DOP)

O lançamento da revista aconteceu durante a Oficina Ampliada do DOP. Esse evento se insere no processo de implementação do subprograma fortalecimento institucional do PBA das Estrada de Ferro Carajás – Componente Indígena Awá e Guajajara das Terras Indígenas Caru e Rio Pindaré.

O DOP é uma abordagem metodológica participativa que tem como objetivos principais o diagnóstico preliminar da organização interna e do seu sistema de parcerias e cooperações, oportunizando uma visão geral da organização e de seus sintomas e potencialidades como base para a formulação dos objetivos mais específicos. Ainda promove a conscientização os atores locais para a mudança organizacional,  ajudando assim no desenvolvimento de uma postura de auto-observação e na capacidade de resolver problemas.

“Como destaca o documento do PBA-CI, um dos desafios para a garantia dos direitos e interesses das comunidades indígenas Awá e Guajajara das terras indígenas Caru e Rio Pindaré é o fortalecimento das suas organizações para que tenham condições de atuar de maneira mais estruturada e autônoma e com competência técnica, administrativa e política. E o DOP é um processo que permitirá aos indígenas alcançar o fortalecimento das suas organizações”, enfatizou Suely Cardoso.

Para Rosilene Guajajara, o DOP foi um processo de fortalecimento para a associação e para a aldeia. “O DOP esclareceu e deu segurança para a gente. Tivemos muitas orientações importantes, com resultados positivos. Aprendemos sobre gestão, como a organização de documentação, sobre a importância da ata e do regimento, bem como cuidados com a finanças e prestação de contas. Foram momentos de grandes aprendizagens e contribuições”, falou entusiasmada.

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