Como bem observou a pesquisadora Mônica Nogueria, a maioria dos povos tradicionais do Cerrado está restrita atualmente às Terras Indígenas ou tem de adaptar seus modos de vida à disponibilidade de recursos, aos conflitos locais e à inclusão social. Já são muitas as organizações indígenas, mas elas perdem constantes batalhas para os grandes fazendeiros e empreendimentos que se instalam no Cerrado.
Valorizar suas culturas tradicionais, ter plenamente reconhecidos seus direitos e, ao mesmo tempo, buscar inserção positiva na sociedade brasileira é atualmente o grande desafio desses povos.
Nas ultimas décadas, o território ocupado pelo bioma Cerrado tem sofrido uma intensa invasão por populações e atividades que não existiam na região há algumas décadas. O processo de urbanização que se seguiu à construção de Brasília e a produção agropecuária - notadamente após o desenvolvimento de tecnologias de produção em larga escala - transformam rapidamente as paisagens do Cerrado.
Não somente as paisagens, mas também os modos de vida de suas populações, os ecossistemas e o regime hídrico têm sofrido com as mudanças e causado a desordem nas relações entre as espécies, a qualidade e quantidade da água e o clima. Socialmente, assiste-se a um lamentável processo de degradação e empobrecimento cultural e material dos povos do Cerrado.
A agricultura intensiva de produção de grãos e as extensas plantações de eucalipto para produção de celulose e carvão, a construção de barragens causam significativos impactos sociais e ambientais nos domínios do Cerrado. As monoculturas da soja e da cana são o exemplo mais concreto de avanço insustentável de uma economia excludente na região. Os benefícios econômicos e sociais são para poucos. A situação do Cerrado e de suas populações é um complexo conjunto de interações, interesses, desafios e possibilidades.
O desenvolvimento sustentável no Cerrado precisa incluir atividades produtivas consistentes, que visem atender prioritariamente ao consumo local, mas também aos mercados nacional e global sem prejudicar os processos ecológicos naturais, torna-se estratégico para gerar renda e demonstrar a viabilidade do desenvolvimento regional. Aliar o conhecimento dos povos que habitam o Cerrado há séculos ao da ciência investigativa voltada para as demandas socioambientais reais é uma importante ferramenta a ser usada para se atingir tais objetivos.
(Agradecimento aos textos de Mônica Nogueira, gentilmente cedidos como subsídios para esta página)
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