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10.07.18

O dia em que o quilombo voltou a ser terra de todos

Por: Assessoria de Comunicação da Rede Cerrado 

Comunidade quilombola de Monte Alegre entra para a história de luta

dos povos e das comunidades tradicionais do Brasil

O barracão coberto de palha, erguido por moradores da própria comunidade, até aquele momento, não era espaço comum do quilombo. A vontade de ter um lugar para festas, tambores e partilhas, até aquele momento, não havia se concretizado. Foi só chegar a notícia de que o Seminário Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais ocorreria ali, naquele chão de terra batida, de poeira solta pelo sol, que… Pronto! Mãos, braços, pernas, ombros, em meio a algumas ferramentas, mobilizou aquele povoado que, em um esforço coletivo, em poucos dias, colocou aquele barracão de pé. Assim como em poucos minutos as faixas foram colocadas indicando qual era o caminho. A cozinha que era livre tinha brasa acesa noite e dia. Comida boa, de verdade e aos tantos. A casa estava pronta. Os povos que chegariam de todas as partes do Brasil já podiam, muitos com suas redes, se “achegar”.

A comunidade quilombola de Monte Alegre, localizada no município de São Luís Gonzaga, no interior do Maranhão, já estava em festa quando, entre os dias 3 e 5 de julho, recebeu em sua terra cerca de 200 pessoas, entre conselheiros dos povos e comunidades tradicionais (PCTs), movimentos sociais parceiros, apoiadores nacionais e internacionais, além da comunidade. Mais de 13 estados brasileiros estavam ali representados. Para quê? Avaliar a Política Nacional de PCTs e discutir uma agenda comum para o Conselho Nacional, que apesar de nunca ter sido empossado pelo Governo Federal, iniciou as atividades em busca do bem viver para as quase cinco milhões de pessoas que resistem pela existência dos costumes tradicionais.

O Quilombo de Monte Alegre, ao longo dos três dias de intensos estudos e debates entre as comunidades tradicionais, acolheu e foi acolhido. Um território marcado pela luta de um povo que desde 1870 resiste naquele chão, de geração em geração, pelo direito de permanecerem na terra que lhes é comum. Que lhes é sagrada.

Mas um dia nessa história ficou tristemente marcado. Os olhos estarrecidos dos que estavam lá viram 97 casas da comunidade, que na época eram todas de palha, pegando fogo. Como quem marca um boi com ferro quente, aqueles homens marcaram centenas de corações que nunca puderam esquecer aquele 12 de novembro de 1979.

Leia a reportagem completa no site da Rede Cerrado 

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