ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza

31.07.18

Mulheres indígenas do Maranhão fortalecem estratégias de organização

Entre os dias 24 e 26 de julho, na Aldeia indígena Januária (MA), aconteceu o II Encontro de Mulheres Indígenas da Articulação de Mulheres Indígenas do Maranhão (AMIMA), com parceria do ISPN e da Fundação Nacional do Índio (FUNAI). O evento reuniu cerca de 100 mulheres das etnias Guajajara (TI Arariboia, TI Caru e TI Rio Pindaré), Awá (TI Caru e TI Awá), Ka’apor (TI Alto Turiaçu), Krikati, Gavião, Kreniê e Krepun e teve como objetivo avançar no regimento interno da articulação, além de traçar estratégias de ações pela igualdade de gênero e pelo emponderamento das mulheres. O momento deu continuidade aos debates ocorridos no primeiro encontro, em 2017.

“Queremos transformar o movimento de mulheres numa organização. Nós estamos ocupando os espaços, na cultura, na saúde, na educação. Há muito tempo só os homens estavam à frente, mas hoje isso vem mudando. As mulheres estão ocupando esses espaços. A gente conquistou apoio, credibilidade e valorização. Temos nossas organizações, nossas associações”, declamou a professora e vice-presidenta do CONDISI-Maranhão, Cíntia Guajajara, na cerimônia de abertura do encontro.

A partir dos eixos sobre Território e Geração de Renda, Poder e Decisão, Educação e Cultura, Saúde e Segurança Alimentar e Violência contra mulher, as indígenas traçaram estratégias visando o bem viver e o fortalecimento de seus territórios, principalmente, na perspectiva da mulher. A preocupação com a alimentação também teve destaque. Foi considerado fundamental a valorização, promoção e fortalecimento da alimentação tradicional, em oposição aos industrializados, cada vez mais presentes nas mesas das aldeias e ocasionando hipertensão, diabetes e câncer.

“Hoje o que me preocupa é a quantidade de hipertenso na minha aldeia. Será que é alimento dos Karaiw (brancos) que está trazendo isso para nós? Porque nosso alimento tradicional é muito sadio. Então, a nossa preocupação é fortalecer nosso alimento tradicional. Assim como fortalecer nossa língua Tenetehara. Nesse encontro temos que pensar como fortalecer isso.”, comenta Marcilene Guajajara, presidente da Coordenação das Organizações e Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão (COAPIMA) e Agente Indígena de saúde de sua aldeia.

O Encontro fortaleceu a AMIMA, quando as mulheres saíram mais dispostas a colocarem em prática suas ações estratégicas a partir dos eixos temáticos e da carta da 1ª Conferencia Livre das Mulheres Indígenas, elaborada em abril de 2017, durante o Acampamento Terra Livre, em Brasília. Definiu-se também que o encontro deverá acontecer três vezes ao ano, para incentivar as mulheres a debaterem temas de seu interesse, propor ações de melhorias aos seus territórios e refletir sobre o bem viver.

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