ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza

28.11.18

Maranhão: ISPN participa de simpósio sobre educação do campo e Agroecologia

Por muitos anos o campo foi relegado à dicotomia com o urbano e às políticas públicas.  Para além de uma produção agropastoril, nunca foi tão evidente sentir e perceber o meio rural como espaço onde a vida pulsa, um território das possibilidades, da diversidade e das múltiplas culturas.  A construção dessa perspectiva é fruto da educação popular, da interação com a academia e, sobretudo, do trabalho das organizações sociais. É nesse movimento que se consolida a Agroecologia – mais do que uma ciência é uma maneira de viver e estar no mundo, com sustentabilidade, equidade social e respeitando a natureza, as relações de gênero e a diversidade. Surge como uma forma de resistência e posição política frente ao mundo.

Nesse sentido, foi realizado entre 8 e 10 de novembro o primeiro “Simpósio sobre Educação do Campo e Agroecologia: diálogos e convergências” (Seduca) na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), na cidade de Bacabal. O evento reuniu cerca de 150 pessoas, entre professores/as, representantes de movimentos sociais, universitários, alunos/as secundaristas e estudantes das escolas de família agrícola de diversos municípios da região. A iniciativa também contou com a presença de assessores/as técnicos do ISPN, que foi um dos apoiadores e patrocinadores da atividade.

O objetivo do simpósio foi promover a formação e a troca de experiências entre os participantes e ainda propor intercâmbio de saberes entre escolas do campo, fomentar a discussão sobre agroecologia e a educação no campo e as relações entre essas áreas do conhecimento, bem como a relevância da aproximação para a promoção do desenvolvimento rural sustentável. A programação, além de palestras sobre a temática central do evento, contou também com debates sobre soberania e segurança alimentar e impactos das atividades agropecuárias nas questões socioambientais. Ainda aconteceram diversas rodas de conversa sobre educação do campo; uso do fogo em terras agricultáveis; e manejo de agrotóxicos, transgênicos e sustentabilidade.

Para o estudante do curso de Licenciatura em Educação do Campo da UFMA, Rodrigo Souza, de 20 anos, da comunidade rural de Centro da Josina, município de São Luís Gonzaga (MA), a agroecologia mudou a vida da sua família e da vizinhança. A localidade, que o jovem mora com os familiares, é assessorada pela Associação Comunitária de Educação em Saúde e Agricultura (Acesa), que é parceira do ISPN. “Nós trabalhávamos com veneno, poderia ser uma maneira mais fácil, mas agredia mais o meio ambiente. É muito gratificante pra gente, pois sabemos que estamos trabalhando com produtos saudáveis para manter as pessoas e ajudando a natureza. Sem a natureza não somos nada. Então, temos que trabalhar em parceria com a natureza”, falou orgulhoso.

“Eu acredito muito na Agroecologia, pois é a maneira de salvar a nossa biodiversidade no nosso ambiente, na nossa comunidade. E preservar tudo que tem na nossa comunidade de forma que possa cada vez mais enriquecer a nossa região. A Agroecologia nos permite trabalhar de forma sustentável com o meio ambiente e a biodiversidade que tem ao nosso redor”, enfatizou o jovem Rodrigo Souza.

De acordo com o professor de Agroecologia da UFMA, Emerson Dalla Chieza, é importante esse diálogo entre a academia e o campo. “A história nos mostra o quão produtivo é essa interação e aproximação. Hoje, a gente está fomentando esse caminho que já estão em curso e que precisamos fortalecer ainda mais. A academia com toda a sua construção pode contribuir com esse processo. Se ficarmos só nos muros da universidade, pensando o que de fato essas pessoas precisam, corremos o risco de produzir algo que não seja tão útil assim. À medida que a gente aproxima, podemos afinar essas conversas e produzir algo mais útil”, explicou.

“A educação do campo e a Agroecologia são frutos dos movimentos de resistência; fruto de muita luta, debate e construção”, reforçou o docente.

Por uma política agroecológica – Está tramitando na Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema) o projeto de lei n° 185/18 que irá instituir a Política Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica do Maranhão (Peapoma). Esta ação marcará o compromisso do estado com a efetivação dos mecanismos que permitirão o desenvolvimento rural sustentável, além de favorecer o bem-estar das próprias famílias agricultoras rurais. A proposta está sendo impulsionada pela crescente demanda por alimentos saudáveis. A Peapoma é uma iniciativa da sociedade civil representada pela Rede de Agroecologia do Maranhão (Rama) – além do ISPN, outras organizações parceiras fazem parte dessa articulação.

TFCA - Tropical Forest Conservation ActFundo AmazôniaPNUD - Programa das Naes Unidas para o DesenvolvimentoGEF
ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza »Fazer login » Intranet
SHCGN CLR Quadra 709 Bloco "E" Loja 38, CEP 70.750-515 Brasília - DF . Fone/Fax: (61) 3327-8085
DoDesign-s Design & Marketing