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8.10.18

Entrevista: Quem são as mulheres do Cerrado?

Anos de eleição nos lembram sobre a importância do protagonismo feminino para as transformações. Ser mulher em uma sociedade historicamente escrita pela narrativa dos homens exige, como nos canta Elza Soares, força para ser e prosseguir. E ser mulher no campo? Fomos em busca de agricultoras familiares, agroextrativistas e representantes de povos e comunidades tradicionais para entender quem são as mulheres que reescrevem a história e impactam suas comunidades nas dinâmicas políticas e nos inspiram por meio de suas relações com o Cerrado. Afinal, a narrativa que se sustenta por meio da desigualdade de gênero também se depara com a luta e o canto das mulheres que vão até o fim do mundo.


Escute a música de Elza Soares “A Mulher do fim do mundo”

Agricultora familiar, agroextrativista e geraizeira, Maria Lúcia de Oliveira vive na comunidade Água Boa, em Rio Pardo de Minas (MG). Como uma de nossas entrevistadas, ela nos conta que “se não batalhássemos em defesa do Cerrado, acabaríamos no êxodo rural. Não teríamos como sobreviver”. Da mesma idéia comunga a agricultora familiar Ginercina Silva. Protagonista do cuidado com as agroflorestas na comunidade de Lagoa Seca, no município de Santa Rita do Novo Destino (GO), ela nos conta que, diante das mudanças climáticas, “a mulher é quem sofre mais, porque nós que gerimos a água dentro de casa, para a família, para os animais. Nosso trabalho dobra”, assim, ela reforça a importância do papel da mulher para manter o Cerrado em pé e produtivo para se encarar as mudanças no entorno.

E, no Cerrado, as mulheres também precisam de segurança e garantia de direitos para prosseguirem na defesa desse bioma. A raizeira e agrônoma Lourdes Cardozo Laureano, da comunidade Chupa Osso, de Góias Velho (GO), descreve as políticas necessárias para ela e todas as companheiras. “Precisamos aprimorar as políticas contra o feminicídio e a violência doméstica, com a criação de delegacias de mulheres rurais, a ampliação de medidas protetivas, direitos sobre pensão alimentícia e atenção aos serviços de saúde da mulher. É necessário que nos consultem na elaboração e implementação de políticas, pois nunca somos ouvidas sobre nossas necessidades específicas de gênero”.

Por fim, da comunidade quilombola do Cedro, em Mineiros (GO), Lucely Moraes Pio coloca tanto amor pelo Cerrado em sua fala que transborda poesia. “O Cerrado para mim significa tudo: força, aprendizado, cultura e saúde”.

Confira a entrevista que fizemos com essas quatro mulheres de luta que apareceram aqui para nos ensinarem sobre como o canto se torna resistência.

Baixe a entrevista clique aqui

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