ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza

27.10.08

Arte secular de tecer capim dourado chega a São Paulo

 

Foto: Lara Campedelli

(Foto: Lara Campedelli)

 

Brasília (27.10.08) Darlene, Ana Cláudia e Maria Júlia. Três mulheres descendentes de grupos quilombolas que há séculos vivem nas longínquas comunidades encravadas no Jalapão (TO) fizeram na semana passada sua primeira viagem de negócios a São Paulo. As três mulheres que vivem em contato direto com uma das mais exuberantes reservas de Cerrado do país  levaram na bagagem uma lição de sustentabilidade para o consumidor da grande cidade.

Elas são designers e executam um trabalho de altíssimo valor agregado aos utensílios, objetos decorativos e acessórios feitos a partir da técnica ancestral de “tecer” o capim dourado. Tal conhecimento é uma herança dos índios Xerente ensinada desde os primórdios do século passado aos remanescentes quilombolas da comunidade da Mumbuca, que por sua vez ensinaram aos moradores das comunidades de Mateiros e do Prata em sucessivas gerações, além de outras comunidades. Hoje a arte de fazer objetos de capim dourado é um patrimônio cultural dos povos tradicionais da região.

 A matéria-prima para o trabalho é extraída diretamente da natureza: o capim dourado e as fibras da folha do buriti. Com um detalhe: toda a coleta segue critérios ambientais que garantem aquilo que a maioria do mercado diz perseguir, mas que poucos o realizam de fato: a sustentabilidade. O capim dourado é colhido pelas comunidades conforme rezam as técnicas do manejo sustentável. A fibra para a costura das peças vem da folha nova de buriti, outra espécie típica do Cerrado. A extração da folha é feita criteriosamente sem prejudicar o desenvolvimento das palmeiras.

A produção totalmente artesanal envolve mulheres, homens, jovens e crianças no ofício que passou a representar a única fonte de renda segura para os moradores dos recônditos do Tocantins. A maior dificuldade é o escoamento da produção. Sem veículos e com estradas precárias, a sofisticada arte das comunidades jalapoeiras fica ilhada.

Para tentar conectar produção e mercado, as três mulheres percorreram cerca de dois mil quilômetros entre o Jalapão e a cidade de São Paulo. Foram equipadas com os aparatos e a linguagem que o mercado entende.

 

 Foto: Lara Campedelli

 

Catálogo

Os produtos dos designeres populars do Jalapão estão agora em um bem montado catálogo de peças feito pela ONG Pequi (Pesquisa e Conservação do Cerrado). O catálogo Designers populares do Jalapão tornou-se material básico de trabalho para as três mulheres no périplo  pela capital paulista. Em breve, os produtos ganharão as vitrines das lojas que comercializam arte e artesanato brasileiro de base sustentável e que se preocupam com um tipo de comércio mais justo para as comunidades. 

A estratégia das artesãs do Jalapão é emplacar os produtos nas lojas que têm afinidade com o tão falado ideário sustentável. Algumas das empresas que mostraram interesse receberam a visita das três mulheres.  Para os lojistas e consumidores, as três mulheres sertanejas, quase sem instrução formal deram  uma aula de como é possível viver, criar e produzir sem destruir o meio ambiente.

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