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22.09.08

Anfíbios do Cerrado

Phyllomedusa oreades. Foto: Antônio Sebben

Phyllomedusa oreades. Foto: Antônio Sebben

Preservado, potencial farmacológico existente nos anfíbios do Cerrado poderá ajudar a humanidade

Os cientistas já conseguiram identificar 160 espécies de anfíbios (sapos, rãs e pererecas) no Cerrado. Desse total, 35 por cento são endêmicas, ou seja, ocorrem exclusivamente nos domínios do bioma. Depois de anos de pesquisas e observação em laboratório, descobriu-se que muitos desses anfíbios possuem propriedades farmacológicas, principalmente as antimicrobianas. Entre as espécies mais estudadas estão as rãs do gênero Leptodactylus e as pererecas do gênero Phyllomedusa.

Na pele das Phyllomedusa, encontra-se uma classe de peptídeos antimicrobianos chamados phyllomedusinas. Descoberta nos arredores do Distrito Federal, a Phyllomedusa oreades (foto acima) está sendo estudada com muita atenção, pois esse animalzinho de apenas três centímetros guarda na em sua pele a dermaseptina, que pode ajudar a curar o mal de chagas. A doença afeta cerca de 18 milhões de pessoas em todo o mundo.

No Laboratório de Espectometria de Massa da Embrapa, pesquisadores brasileiros chefiados pelo biólogo Carlos Bloch descobriram que a dermaseptina age contra o agente da doença de chagas, o Trypanosoma cruzi. Por essas e outras razões, a manutenção da biodiversidade do Cerrado – seja ela por meio da conservação ou do manejo sustentável – pode trazer para a humanidade benefícios que hoje nem sequer suspeitamos.

À medida em que o país investe recursos nas pesquisas de campo no Cerrado, novas espécies de anfíbios também estão saindo do anonimato. Infelizmente, as descobertas também mostram que os anfíbios, por terem pele muito sensível, estão sendo os mais afetados com a mudança climática e a poluição da água. A construção de hidrelétricas e o desmatamento também ameaçam os anfíbios.

Phyllomedusa azurea. Foto: Antônio Sebben

Phyllomedusa azurea. Foto: Antônio Sebben

As queimadas são outro fator de risco para os anfíbios. As pererecas como, a recém revalidada Phyllomedusa azurea, depositam seus ovos em folhagens acima do leito de córregos e lagoas (fotos). Dessa forma, as desovas são muito vulneráveis à ação do fogo, conforme o professor Antônio Sebben.

Ovos da Phyllomedusa azurea. Foto: A. Sebben

Ovos da Phyllomedusa azurea. Foto: A. Sebben

Autor das mais recentes descobertas sobre anfíbios no Cerrado (entre elas a da P. oreades e duas espécies de sapo do gênero Rhinella), o herpetólogo Reuber Brandão, da Universidade de Brasília, acredita que as descobertas são um alerta sobre a importância do Cerrado e a necessidade urgente de se preservar o que restou do bioma.

Você sabe o que é a herpetologia?

Herpetologia é o ramo da Zoologia que se preocupa com o estudo dos répteis e anfíbios. No Brasil existem mais de 2 mil herpetólogos, organizados em uma Sociedade Científica que realiza congressos nacionais a cada dois anos (Sociedade Brasileira de Herpetologia – www.sbherpetologia.com.br). Trata-se de uma especialização para os biólogos e uma área que tende a de desenvolver com a crescente valorização do tema ambiental.

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